A catarse comum de Marina Person

california

Década perdida é o apelido maldito dos anos 80 no Brasil, pode se caber tal expressão se fizermos uma análise política e econômica do período que teve muita tensão com o fim do governo militar, por conseguinte a abertura política, uma moeda muito instável e por aí vai, mas sinceramente, não é isso que te dirá aquele que foi jovem nessa época.

Eu só vim a existir no comecinho de 1990, mas meus pais foram adolescentes oitentistas e sempre se lembram de seus tempos com certa nostalgia. A “década perdida” foi achada pelo arte, só olhar para tudo que surgiu ou ganhou força nessa época no Brasil, seja o movimento punk em São Paulo e Brasília que nos trouxe os Ratos de Porão e a Legião Urbana, o Hip Hop que teve notoriedade com Thaíde e Dj Hum, sem contar o cinema que levava pessoas as diversas salas que existiam em todo o país e que nos deu algumas obras sensacionais como Pixote: A Lei do mais Fraco (1981)Eles não usam Black Ties (1981).

O melhor do anos 80 é justamente o que podemos ver em Califórnia (2015), tudo sobe a ótica de Estela, Teca ou como você preferir chamá-la. A personagem interpretada pela talentosa Clara Gallo, nos conduz por seus dilemas, paixões e muito pelo que uma menina de 17 anos passa, tudo colorido pelas cores cítricas e a vanguarda da época. O que se pode perceber é que Teca poderia muito bem se chamar Marina, sim, a personagem é a projeção juvenil da diretora Marina Person.

Começando pela semelhança física entre a atriz e a diretora, passando pelas referencias a MTV, emissora em que Marina trabalhou por muitos anos, o filme é todo uma ode aos sonhos da geração beat vivenciados pela mocinha que quer ir para Califórnia viver na estrada, como no livro de Kerouac. Está tudo presente no filme – o sexo, as drogas, o rock’n roll e os riscos de se viver tudo isso em sua plenitude.

Personalista e catártico, assim podemos caracterizar o filme de Marina Person, que talvez classifique toda a sua curta obra como diretora, já que seu primeiro filme Person (2007), é sobre seu pai, o importante diretor de cinema Luís Sérgio Person, no entanto o filme é bem mais que isso, ele é atemporal, muito bem filmado, uma experiência doce, mesmo que tudo isso seja para de novo saudar o hedonismo beatnik, mas aí o papo é outro e eu vou deixar para depois.

 

 

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