Meu pai não fala inglês

Chico Artista Brasileiro

Como diriam os mais sábios “eu vim do norte”, norte esse que é sul para os amigos recifenses, mas sim, lá é um norte pra mim, o lugar de onde vim, lugar que é sertão e faz uma calor forte o suficiente para o ventinho do fim de tarde se tornar umas das coisas mais preciosas no dia. Meu lugar não é só meu, é de meu pai, minha mãe, minha família toda e lá eu aprendi as canções de Zé Ramalho, o cheiro da baia do gado, a deitar sobre a correnteza de um rio,  muito do que me faz quem sou, assim aprendi uma coisa que me orienta como uma bussola que me mostra o norte, aprendi que sou brasileiro.

Brasileiro também é como identificamos Chico Buarque de Hollanda no novo documentário do diretor Miguel Faria Jr, Chico: Artista Brasileiro (2015) que é o segundo documentário em seguida do diretor que em 2005 nos apresentou o belo Vinícius, onde ele conta a história de vida do mestre Vinícius de Moraes.

Falando de Chico, não foi uma surpresa sair da sala de cinema satisfeito, a combinação música, documentário e Brasil sempre me satisfazem, já tive isso em outros filmes lançados esse ano, no caso Los Hermanos – Esse é Só o Começo do Fim das Nossas Vidas (2015) e Cássia Eller (2015), no entanto com Chico a satisfação foi um tanto diferente. Com Cássia eu chorei, com os Hermanos eu ouvi boa música, com Vinícius lá atrás eu conheci boas histórias, mas com Chico eu tive tudo isso junto a uma reflexão pessoal absurda.

Chico me fez lembrar de minhas raízes, me fez sentir saudades de coisas bonitas que conheci e até das que não conheci, sim, quando no filme Chico Buarque diz conhecer músicas apresentadas pelo neto que eram de sua juventude, mas que ele não conheceu na época. A sinceridade dele sobre a sua idolatrada Bossa Nova também faz repensar sobre a constituição de nossa cultura, ele reconhece que era um movimento elitista que só se popularizou por não termos uma democracia tão viva como temos hoje e que o que temos hoje é um cenário musical com mais cara do que é o Brasil de fato.

A mim chegou de forma muito pessoal também o passeio que o filme faz sobre a criação e pelo processo criativo do artista. E o irmão alemão? Pois então, uma trama de cores mondrianescas, ritmos suaves, mistérios, risos e Chico Buarque merece ser vista por todo mundo, mas alerto que se prepare para na vida de um outro homem olhar para o que te faz viver, mover e existir.

 

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